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E Aí King nasceu banda e virou, aos poucos, uma forma de eu fazer as pazes com a música sozinho.

Saí da minha última banda, o Grajaú 434, em 2008, e mais ou menos na mesma época descobri o software Reason, quando percebi uma coisa que mudou tudo: eu conseguia gravar bateria, teclado, baixo, guitarra e voz sozinho, no meu próprio tempo. Quando o SoundCloud apareceu, mostrando que dava para publicar música de graça, o caminho ficou claro. Gravei em home studio, mixei no estúdio Madruga com meu amigo Rafael Maranhão, e fui soltando as músicas uma a uma pelo Blogspot. Em 2010 nasceu o primeiro disco, E Aí King?

Origem do nome

Em 1958, o Brasil foi campeão do mundo pela primeira vez, goleando a Suécia por 5 a 2 na final, em pleno território sueco. Quando foram receber a taça das mãos do próprio rei Gustavo, diz a lenda que o médico da seleção se virou para a sumidade e soltou: “E aí king, tudo bem?” Gostei tanto da cena que virou o nome do projeto.

Uma banda, depois um estúdio, depois eu

Depois do primeiro disco, cheguei a montar uma banda para tocar ao vivo, mas só rolou um show. Em compensação, alguns amigos quiseram gravar comigo — eu fazia os instrumentais, eles traziam letra e melodia. Fui soltando essas parcerias no SoundCloud a partir de 2011, sem muito alarde. Também montei uma versão solo do show, com violão, voz e backing tracks; toquei um tempo ao lado do Pedro Gadelha, até a gente parar de procurar palco.

Foi a pandemia que me fez repensar tudo de novo. Percebi que dava para lançar direto no Spotify — e assim, em 2020, E Aí King? ganhou uma segunda vida na plataforma. Gravei mais três parcerias e juntei tudo em Co-Labs Volume 1 (2021), com letras de Dubti (vocalista do Grajaú 434), Velo Soul, Pê Gadelha, Paco e o trio Ace Crew Dirty, cada faixa nascendo de um encontro diferente, do rock ao reggae jamaicano ao hip hop dos anos 90.

Represar, não represar

2020 também foi o ano em que comecei um trabalho de sombra que o mundo inteiro faria meses depois. O Santo Daime me deu um espelho, e quanto mais eu fugia dele, mais a sombra me seguia. Foi nesse contexto que nasceram o livro e o disco Não Represe o Rio (2022): onze faixas que atravessam samba rock, reggae e punk, fechando com uma homenagem instrumental ao córrego do parque Olhos D’Água, de onde veio boa parte da inspiração.

    

Em 2023, olhei pra trás e resolvi revisitar o próprio catálogo. Inspirado em discos como The In Sound From Way Out! (Beastie Boys), I & I Survived – Dub (Bad Brains) e Dreaming From an Iron Gate (Groundation + Brain Damage), lancei Dubs & Jams, com uma faixa inédita e versões instrumentais de músicas já publicadas, em chave dub.

Hoje

Sigo lançando singles avulsos quando alguma história pede uma música só pra ela: Esse Rapaz (2022), sobre meu filho recém-nascido; Lifeboat (2022), lembrança do 311 Cruise 2019; Brasil-lia (2023), retrato bem-humorado da cidade onde vivo; Tudo Pássaro (2024), sobre uma prima que passou por muito até enfim ver a porta da gaiola aberta.

 

E Ai King hoje é isso: um estúdio de uma pessoa só, rock, ska, samba rock e dancehall se misturando sem forçar a barra, e uma vontade permanente de transformar o que acontece de bom e de ruim em música.

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