E Aí King? (2010)
Neste primeiro disco, dei vazão a vários temas que me interessavam na época:
- A importância de relacionamentos sinceros — Armadilhas
- Relacionamentos realistas — Canino
- Relacionamentos com tesão — Calor do Dia
- A busca pela atividade pessoal genuína — Bom Senso e Sol na Lata
- As dificuldades da vida adulta — Charles, Paz da Mordaça e Vô Caetano
- Pegação e afins — Me Chama de Hippie, O Homem Mais Bonito de Goianésia e Baile
Escolhi vários estilos que me agradam, do rock ao reggae, do dancehall ao samba-rock, passando pelo ska e pelo funk carioca com guitarras distorcidas.
A produção do disco
A capa mostra meus delicados pés numa praia em Maragogi, Alagoas, onde eu e minha esposa passamos a lua-de-mel.
Quis representar nessa foto o trabalho que tive no disco: compus todas as músicas, gravei e programei os instrumentos, além de cantar.
O disco foi mixado e masterizado por Rafael Maranhão, no Estúdio Madruga, em Brasília, em setembro/outubro de 2010.
Histórias por trás das músicas
Calor do Dia
Calor do Dia não é totalmente original, mas uma livre versão — não exatamente igual — de uma música do Yellowman, Love It.
Yellowman é um dos grandes cantores do dancehall jamaicano da década de 80 e uma referência para muita gente. O 311, por exemplo, aproveitou o começo de uma música dele, Mr. Chin, em All Mixed Up.
A melodia de outra de suas músicas, Zunguzungunguzunguzeng, foi basicamente reaproveitada em pelo menos 14 músicas diferentes, como mostra esse artigo muito interessante.
Aqui no Brasil, ele é mais conhecido por 2 menções do Planet Hemp na música Mantenha o Respeito: Nobody move, nobody get hurt, ninguém se move, ninguém se machucará e Eu ouço Yellow, Buju Banton, Cutty Ranks, Shabba, >porque eles não querem me impedir de fazer fumaça.
Eu sempre me amarrei em Yellowman, especialmente na melodia do refrão de Love It. Mas o resto da letra era bem tosco, então a re-adaptei para algo mais… palatável.
Charles
Charles é da época em que eu tocava no Grajaú 434 e foi uma das primeiras músicas feitas com a banda.
Para o disco, dei uma repaginada nela, mudando algumas partes da letra e várias partes da base.
Bom Senso
Bom Senso é uma espécie de:
“Jorge Ben e seu violão foram passar férias na Jamaica, escutaram dancehall e chaparam o coco, voltaram pro Brasil, chamaram o Trio Mocotó pra colocarem uns apitos e pandeiros e gravaram o que deu na telha.”
Paz da Mordaça
Paz da Mordaça fala sobre ser uma pessoa normal, com seus desejos comuns e necessidades universais, em meio a um grupo de pessoas que conscientemente incentiva sua loucura.
Governantes, marketeiros, publicitários, jornalistas e super-artistas que não fazem arte alguma. Pessoas que vendem ilusões de grandeza, desinformação e necessidades supérfluas.
A música começou como um reggae bem roots, por causa da linha de baixo.
Como achei que faltava alguma cosita a más, coloquei uma batida meio hip hop e acrescentei teclados e guitarras sem qualquer parcimônia.
A segunda parte continuava no reggae roots. Então acelerei o andamento e coloquei uma batida meio cumbia/reggaeton/dancehall — ou sei lá o quê.
As frequências graves do baixo foram obtidas diretamente do centro da Terra, ou da linha interestelar de Alfa Centauri, ou da barriga da minha mãe. Um desses aí.
Sol na Lata
Sol na Lata começou como um rock básico, com bateria bem reta e guitarras pesadas.
Depois resolvi colocar uma bateria eletrônica no estilo do Asian Dub Foundation.
A música fala sobre aquele momento na vida em que você sabe o que tem que fazer.
Se é que ele existe, hehehe.
O Homem Mais Bonito de Goianésia
Um funk rock com guitarra pesada e violão, em homenagem à malandragem do pegador mais efetivo do Planalto Central.
Baile
Um funk pancadão com guitarras distorcidas, algo meio Comunidade Nin-Jitsu.
Canino
Canino é uma homenagem à minha esposa.
Se só ela entender a letra, já tá bom demais.
Vô Caetano
Vô Caetano é uma ode à vida de eterno quebrado que tanto conhecemos.
Independente de estado civil, formação acadêmica, time de coração ou orientação sexual, a gente paga contas.
É isso.
O que esse disco representa
Esse disco foi o meu cartão de visitas, mostrando a mistureba de sons que me agradam.
E me orgulho muito de ter conseguido fazê-lo.
Aprendi muito com ele sobre gravação, composição e sobre o efeito que uma letra pode ter sobre amigos, familiares e ouvintes.
Videoclipe de “Bom Senso”
Também lancei um video clipe da música de trabalho do primeiro disco, E Aí King?, gravado em Novembro de 2010, em Maragogi, Alagoas. Dancehall com samba rock sobre encontrar seu caminho num mundo caótico e cheio de informação.
Referências
A playlist associada ao disco reúne algumas das músicas que usei como referência para compor e gravar cada faixa.

